O encantador charme do cinema francês ganha um atrativo a mais na estreia dessa semana. Tomboy, filme dirigido por Céline Sciamma, exala o carisma e a simplicidade que crianças lidam com as situações.
Uma garota que se passa por garoto e experimenta os limites da sua própria identidade sexual é o ponto principal da obra, que constrói sua história com uma visão bastante infantil.
Jeito de moleque, preferência pela cor azul, cabelos curtos e roupas despojadas, fazem com que Laure decida apresentar-se como menino para seus novos vizinhos, usando o nome de Michael.
Ao mesmo tempo que toda aquela aparência me fazia acreditar que a personagem poderia mesmo ser um menino, o medo com que aquela menina linda sofresse qualquer tipo de agressão e preconceito me deixou tenso por toda sessão.
Me lembrei de quando eu brincava na rua e como era importante a opinião dos meus 'amiguinhos' pra mim. Em uma época que falar de 'bulling' virou moda, me coloquei no lugar da personagem e nos medos que estavam por vir.
Os pais não sabiam de nada e a farsa ganhava sempre novos desafios. Como fazer xixi na rua? E aproveitar a piscina? E o primeiro beijo? Laure/Michael mostrou seu lado infantil em momentos divertidos e criativos de solução.
O ponto forte do filme está na sinceridade da protagonista, que mesmo se passando por um garoto, mostra seu cuidado e carinho com a irmã mais nova, com os amigos e com a família.
Essa paixão pela personagem não é a toa. A diretora tomou todo o cuidado para que essa impressão fosse bem forte em Tomboy.
Em entrevista por telefone e reproduzida no jornal O Estado de S.Paulo, Céline admite que não teria realizado a obra se não tivesse encontrado a atriz certa. Para facilitar a rodagem, os amigos de Laure/Michael são os amigos da atriz (Zoé Héran) na vida real. Todo trabalho com crianças exige um cuidado especial. Tomboy mostra saber bem deste desafio.
A autora não nos conta como era a vida de Laure antes de se mudar para o novo endereço e nem como será quando entrar em uma fase de decisões da postura sexual. Evitando um tom muito dramático, Céline relata apenas algumas semanas da personagem, o que faz com que Tomboy fuja um pouco do rótulo de temática gay.
Com um trailer também bastante divertido, o segundo filme da carreira de Céline nos convida para uma história de descobertas em que a emoção está bastante presente. Recomendo e espero que saiam um pouco da caixa de sapato de vocês para degustar este filme!

Gostei do texto e fiquei curioso pra ver o filme...
ResponderExcluirÉ realmente muito bom! :)
ExcluirAdorei demais